domingo, 2 de novembro de 2008

As boas maneiras da futura "fada do lar"

Estudando no colégio tínhamos o privilégio de ter algumas aulas que nenhuma outra escola ministrava, por motivos insuspeitados por nós naquela época. Hoje eu entendo perfeitamente, mas na época a lavagem cerebral ia em estágio tão adiantado e era tão bem sucedida que éramos incapazes de enxergar o que se esfregava em nossos empertigados narizes.

Uma das "matérias" exclusivas de nossa instituição de ensino eram as boas maneiras. Mas eram boas maneiras diferentes, para quando tivéssemos nossos maridos e casa para cuidar. Claro que também éramos instruídas sobre como devíamos nos comportar para conseguirmos esse "prêmio", mas a coisa não parava aí. Segundo nossas orientadoras religiosas e em tudo o mais, depois de conquistar era necessário saber conservar.

Tínhamos um caderno que era escrito por nós mesmas, repleto de anotações que eram ricas em detalhes sobre como deveríamos agir depois de casadas. Sempre esperar o marido com um sorriso e um batonzinho claro na boca. Nunca questioná-lo quanto ao que fazia "lá fora", já que o que importava era o sagrado recesso de nosso lar, ao qual deveria reduzir-se nosso mundinho.

Eram ensinamentos que deveriam orientar nossa vida futura, bobagens apenas, vejo agora, de maior ou menor quilate dependendo de quem ditara aquelas normas de uma santa ignorância colossal e que hoje seriam um insulto a inteligência da mais idiota das criaturas, mas que naqueles anos idos no passado nos pareciam completamente possíveis e até sensatas.

Graças a Deus quando me casei já havia perdido o livro e nem me lembrei de colocar em prática qualquer uma daquelas tolices. Maridos se foram e acredito que mais ainda teriam ido, ou então muito mais depressa se eu seguisse as recomendações de nossas freiras.

Não sei se ainda costumam ensinar coisas assim em colégios de freiras, se ensinam as pobres das moças morrerão todas solteiras porque acho que hoje em dia nem o mais machista dos maridos achará graça em ser casado com um autômato que segue as normas para as quais foi programado, em vez de viver com um ser humano.

Mas no colégio era assim, lembro-me do livrinho que era companheiro de um outro, com capa de napa cortada e decorada por nós mesmas, onde anotávamos as receitas com as quais futuramente encantaríamos e faríamos a delícia de nossos maridos.

Pensando nisso... onde é que foi parar mesmo aquele livro de receitas?

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